SEMINÁRIO

Seminário Cartas Abertas

Sábados, 6, 13, 20 e 27 de Agosto, das 16h às 18h, no Pivô, edifício Copan

Ao propor um exercício de comunicação entre um grupo de profissionais que pensam e atuam sobre a cidade e o representante municipal do poder público que é responsável por administrá-la, a exposição Cartas ao Prefeito: São Paulo pretende colocar a cidade, com toda sua complexa trama sócio-espacial, no centro da discussão pública. O período da exposição, início da campanha eleitoral para a Prefeitura de São Paulo, faz com que esta participe de um momento de (re)definição das estratégias e expectativas para o futuro da metrópole. De modo a potencializar o seu impacto neste realinhamento de objetivos, serão organizados quatro encontros que trarão para a discussão, além dos arquitetos convidados, outros agentes atuantes na cidade, assim como proporcionarão a participação ativa do público e a sua interlocução com os autores das cartas.


#1 – Projeto (06.08.2016)

O seminário se inicia com uma discussão sobre a importância e insuficiências do papel do projeto na estruturação física da cidade, e como agente ativo na atuação dentro de uma esfera sócio-política. Se o projeto é aquilo que distingue a arquitetura da mera construção, conferindo-lhe um conteúdo semântico e consequentemente introduzindo-a num campo especulativo, este também tem a capacidade de, por um lado, envolver e afetar ética e esteticamente o conjunto de pessoas com quem entra em contato e, por outro, ser um vetor de segregação e alienação.

Mediadora: Lizete Rubano

Participantes: Marcelo Coelho, Marcos Boldarini, Pablo Hereñú, Sandra Kocura


Lizete Rubano – Arquiteta e Urbanista pela FAU Mackenzie, com mestrado e doutorado pela FAUUSP. Atuou junto a movimentos sociais por habitação da Zona Sul da cidade de São Paulo e junto aos moradores da Vila Itororó, assessorando o escritório modelo da FAU Mackenzie, o Mosaico, no desenvolvimento de projeto para a área. Trabalhou na COHAB-SP no período de 1989-1992, no replanejamento das áreas livres dos conjuntos Teotônio Vilela, Itaquera e José Bonifácio na Zona Leste. É professora de projeto na FAU Mackenzie desde 1996, desenvolvendo atividades de ensino e de pesquisa. Organizou, conjuntamente à equipe do escritório do arquiteto Héctor Vigliecca, os livros “Hipóteses do real” e “Terceiro território”, onde são discutidos projetos urbanos e de habitação social.

Marcelo Coelho – Mestre em historia social. Um dos fundadores do Programa Vivenda (negócio social que trabalha com reformas habitacionais para baixa renda) e responsável pela área de relacionamento com os moradores.

Marcos Boldarini – Arquiteto diretor do escritório Boldarini Arquitetos Associados com Lucas Nobre. O escritório atua na elaboração, desenvolvimento e implantação de projetos de urbanismo, arquitetura e paisagismo, tendo se destacado no âmbito da habitação social e da urbanização de assentamentos precários. O Boldarini Arquitetos Associados tem diversos projetos premiados e participou das bienais internacionais de arquitetura de Veneza (2002, 2010 e 2014), Roterdã (2009 e 2012), Quito (2010), São Paulo (2011) e Buenos Aires (2013), premiado nas três últimas. Em 2016 o escritório foi premiado pela Associação Paulista dos Críticos de Arte na categoria Urbanidade pelo conjunto dos projetos sociais desenvolvidos em São Paulo.

Pablo Hereñú – Arquiteto e Urbanista pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo – FAUUSP em 2001. Mestre (2007) e Doutor (2016) pela mesma instituição. Titular da empresa Hereñú+Ferroni Arquitetos desde 2002. Professor na Escola da Cidade (São Paulo) desde 2002 e Professor Visitante da Universidade da Florida (EUA) desde 2007.

Sandra Kocura – Tecnóloga em Secretariado e Graduanda em Serviço Social pela UNICASTELO, estágio na Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social (CRAS – Itaquera), Oficineira em Núcleos de Convivência do Idoso, Coordenadora e Mutirante do MTST Leste1.


#2 – Estratégia (13.08.2016)

O segundo encontro parte de uma leitura da estruturação urbana de São Paulo como um processo histórico pautado pelos interesses de uma pequena parcela sócio-espacial da cidade em detrimento da grande maioria da população e seus espaços. Num momento em que o planejamento urbano tende a encarar a cidade como uma empresa-mercadoria, o encontro pretende discutir outras estratégias, da micro à macro-escala, que visam contrabalançar a estruturação segregatória da cidade e engajar os seus cidadãos na construção de uma cidadania e esfera pública desejável.

Mediador: Gabriel Kogan

Participantes: Bel Santos Mayer, Fernando Túlio Franco, Nelson Brissac Peixoto, Milton Braga


Gabriel Kogan – Arquiteto e jornalista, formado pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAU-USP) em 2009. Sua pesquisa intersecciona narrativa, história, urbanismo, arquitetura, arte e design; trabalhou no Studio MK27, de 2007 a 2015, e é colaborador do jornal Folha de São Paulo. Sua tese de mestrado (desenvolvida no UNSECO-IHE nos Países Baixos em 2013) é uma narrativa urbana sobre a história das enchentes em São Paulo. Como jornalista, publicou em revistas especializadas internacionais como as japonesa A+U e GA House. Em 2015, fundou o instituto CENTRO, para pesquisas urbanas e de arquitetura, e edita a Revista Centro, que teve seu primeiro número lançado em Dezembro.

Bel Santos Mayer – Educadora Social, licenciada em Matemática, Bacharel em Turismo e tem especialização em Pedagogia Social. É coordenadora do Instituto Brasileiro de Estudos e Apoio Comunitário – Ibeac, sendo responsável pela elaboração e execução de projetos de prevenção à violência e promoção dos Direitos Humanos. É assessora da Secretaria Municipal de Educação de Guarulhos, para a política de promoção da igualdade racial e étnica na educação. Desde a década de 1990 apoia a criação de Bibliotecas Comunitárias em áreas periféricas da cidade de São Paulo. Representou o Polo de Leitura LiteraSampa no processo de elaboração do Plano Municipal do Livro, da Leitura, da Literatura e da Biblioteca da São Paulo – GT PMLLLB/SP.

Fernando Túlio Salva Rocha Franco – Assessor especial do gabinete da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano (SMDU), foi secretario executivo do Conselho Municipal de Política Urbana durante o processo de revisão participativa do Plano Diretor Estratégico e do Zoneamento da Cidade de São Paulo e coordena o Grupo de Gestão da Operação Urbana Consorciada Água Branca. Mestrando em Gestão e Políticas Públicas pela Fundação Getúlio Vargas e graduado em Arquitetura e Urbanismo pela FAUUSP onde integrou o grupo de pesquisa em Infraestruturas Urbanas Fluviais, Grupo Metrópole Fluvial. Colaborou com o Estúdio Gibraltar e com o escritório Base 3 Arquitetos em projetos como a reurbanização da Favela do Sapé.

Milton Braga – Professor na FAUUSP, onde desenvolveu pesquisas sobre projeto urbano em seu mestrado (1999) e doutorado (2006). Em 2010, publicou o livro “o concurso de Brasília: sete projetos para uma capital”, premiado com o segundo lugar no 53º Prêmio Jabuti na categoria Arquitetura e Urbanismo (2011) e o primeiro prêmio “ex aequo” na categoria livro da VIII Bienal Ibero-americana de Arquitetura e Urbanismo, em Cádiz (2012). É sócio-fundador do escritório de arquitetura MMBB, fundado em 1991 em São Paulo.

Nelson Brissac Peixoto – Filósofo, trabalhando com questões relativas à arte e ao urbanismo. Doutor em Filosofia pela Universidade de Paris I – Sorbonne, é professor do curso Tecnologias da Inteligência e Design Digital da PUC-SP. Publicou, dentre outros livros, Paisagens Urbanas, Ed. Senac, 1996; Arte/Cidade – Intervenções Urbanas, Ed. Senac, 2002; Paisagens Críticas – Robert Smithson: arte, ciência e indústria, Ed. Senac / Educ, 2010; e Arte/Cidade Zona Leste, Ed Dardo, Espanha, 2011. Foi responsável pela organização e curadoria de Arte/Cidade (1994-2002). Atualmente desenvolve os projetos ZL Vórtice, na zona leste de São Paulo, e Arte/Cidade Linha Metálica.


#3 – Resistência (20.08.2016)

O terceiro encontro discutirá a intervenção e ocupação do espaço urbano como ferramenta para forjar e horizontalizar um diálogo com o poder público, assim como instrumento importante no processo de subjetivação e empoderamento simbólico dos cidadãos sobre a sua cidade. Num momento em que a crise da democracia representativa está cada vez mais evidente, inúmeras cidades têm sido palco para o surgimento de novas formas de coletividade como entidades políticas, que usam a revolução e a resistência como atos de catarse, negociação e mediação, de modo a lograr reformas e o seu “direito à cidade”.

Mediadores: Bruno de Almeida e Fernando Falcon

Participantes: André Luiz, Carmen Silva, Luciana Bedeschi


André Luiz – Fundador da TV DOC, um canal de informação na web, O projeto tem como objetivo dar voz e visibilidade à comunidade do Capão Redondo, despertando também o protagonismo da juventude local, através de oficinas de audiovisual, e atividades como saraus que valorizam a diversidade. Entre os entrevistados da TV estão o prefeito da cidade, Fernando Haddad (PT), e a Presidenta da República, Dilma Rousseff.

Carmen Silva Ferreira –  Uma das dirigentes da FLM – Frente de Luta por Moradia, um coletivo formado por representantes de movimentos sociais autônomos, cujo objetivo é a reforma urbana e um desenvolvimento urbano mais justo. E também uma das fundadoras do MSTC – Movimento dos Sem-Teto do Centro.

Luciana Bedeschi – Paulistana, advogada popular, Bacharel em Direito formada pela FMUSP, pós graduada em Direitos Humanos pela FDUPS, Mestra em Direito Urbanístico pela PUCSP, doutoranda em Planejamento e Gestão do Território pela UFABC. Pesquisadora no Observatório de Remoções, projeto desenvolvido por LABCidade, LABHAB da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo e pela Universidade Federal do ABC, trata da identificação e do mapeamento, em diferentes escalas, de grupos com alto grau de vulnerabilidade socioambiental impactados por remoções urbanas involuntárias. Este projeto também tem como objetivo o apoio às comunidades atingidas pelas remoções, para compreensão dos seus impactos e defesa de seus direitos.


#4 – 2054 (27.08.2016)

O último encontro do seminário abre espaço para especular outras formas de ser na cidade, quando do 5º centenário de São Paulo em 2054. Se a celebração do 4º Centenário simbolizava a ascensão desta cidade como a grande metrópole Brasileira, usando-se a arquitetura como a principal forma de demonstração desse poder, como podemos pensar no futuro da mesma cidade depois de uma expansão desordenada, desigual e excludente?

Mediador: Fernando Falcon

Participantes: Alexandre Delijaicov, Lucas Girard, Marcus Vinicius de Moraes


Alexandre Delijaicov – Arquiteto efetivo da Prefeitura de São Paulo; professor do Departamento de Projeto da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo; coordenador do Grupo de Pesquisa em Projeto de Arquitetura de Infraestruturas Urbanas Fluviais (Grupo Metrópole Fluvial) e coordenador do Grupo de Pesquisa em Projeto de Arquitetura de Equipamentos Públicos, do Laboratório de Projeto (LABPROJ) da FAU-USP. Mestrado em 1998 “Tietê, os rios e o desenho da cidade” e doutorado em 2005 “São Paulo, metrópole fluvial”, na FAU-USP. Conceito dos projetos de “Praças de Equipamentos Sociais”, em 1992, e “Centros Educacionais Unificados”, em 2001, no Departamento de Edificações – EDIF, da Secretaria Municipal de Infraestrutura Urbana e Obras da Prefeitura de São Paulo.

Lucas Girard – Arquiteto, integrante do 23SUL. Atualmente pesquisa na FAUUSP o impacto sobre o espaço e o potencial das tecnologias da informação para reorganização do ambiente construído.

Marcus Vinicius de Moraes – Nasceu e cresceu na periferia, no extremo leste de São Paulo é Gestor Socioambiental, com foco em Economia Solidária, principalmente em projetos na periferia leste de São Paulo, já participou ativamente de projetos de Permacultura e Agroecologia tanto no rural, quanto no urbano, inclusive em outros estados. Educador ambiental popular, permacultor e articulador comunitário, atua na perspectiva da cultura de paz, e busca democratizar o acesso as tecnologias sociais.


O direito à cidade é muito mais que a liberdade individual de ter acesso aos recursos urbanos: é um direito de mudar a nós mesmos, mudando a cidade.

David Harvey, O direito à cidade
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